
Por que estou aqui?
Estou profundamente comprometida com o trabalho de zelar pelos direitos das crianças acolhidas no município de São Carlos/SP e lutar pela melhoria da qualidade do serviço ofertado pela administração municipal.
Trabalhei por dois meses como funcionária na Casa de Acolhimento, quando tomei ciência de problemas estruturais que há anos caracterizam o serviço de acolhimento institucional de crianças e adolescentes no município (além da precariedade e/ou inexistência, naquele momento, dos programas Família Acolhedora e Apadrinhamento Afetivo).
Muitos dos problemas são intrínsecos ao modo de acolhimento em si - institucional - que, reconhecidamente, não tem como oferecer todo o cuidado, atenção e vínculos de que as crianças precisam.
Almejo que aos bebês, às crianças e aos adolescentes acolhidos sejam garantidas a qualidade de vida e a dignidade, assim como seus direitos a apoio emocional, convivência social, saúde, educação, lazer, espiritualidade, higiene, segurança e projeto de vida, garantidos por lei e reconhecidos pelo senso ético de qualquer pessoa em sã consciência.
Além disso, no ano de 2022, a Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP de São Carlos se propôs a compreender melhor a situação do serviço e contribuir para sua melhoria, o que demanda uma transformação no olhar da administração pública para esse segmento da sociedade e um compromisso com a efetivação de seus direitos. Atuei como membro colaborador na Comissão e, durante os trabalhos, percebi a necessidade premente de a cidade de São Carlos adequar-se à legislação vigente, instituindo um sério Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora. Por isso, procurei outras pessoas com as mesmas preocupações para se unirem em torno desse objetivo, formando então o Coletivo Melhor Acolhimento (Colmeia). Cinthia Catoia¹, Raquel Fernandes² e eu³ trabalhamos juntas por algum tempo. Aprofundamo-nos no conhecimento da legislação vigente a fim de participar de modo qualificado dos diálogos necessários com os Poderes, instituições e pessoas responsáveis pela garantia da qualidade dos serviços voltados a essas crianças. Em janeiro de 2024, decidimos dissolver o grupo, e permaneci com este trabalho.
Lara


1 Cinthia Catoia
Pesquisa temas relacionados a direitos humanos; racismo antinegro; movimento de mulheres. Em 2017, atuou como coordenadora das casas de acolhimento de São Carlos/SP. Em 2022, foi convidada a participar como membro da Comissão dos Direitos Humanos da OAB de São Carlos/SP, ao mesmo tempo, teve a oportunidade de atuar para a melhoria desse serviço, por meio do Coletivo Melhor Acolhimento.
2 Raquel Fernandes
Atuou como coordenadora do grupo Fábrica de Esperança de 2016 a 2020. O projeto realizava ações direcionadas a crianças e adolescentes em situação de risco na cidade de São Carlos/SP. Mensalmente eram realizadas visitas nas casas de acolhimentos para atividades lúdicas com foco no desenvolvimento da autoestima, apoio emocional e motivacional. Devido à pandemia, o grupo encerrou as atividades.
3 Lara Padilha
Licenciada em Letras pela Ufscar, atuou como coordenadora das casas de acolhimento de São Carlos temporariamente por dois meses em 2017, quando tomou conhecimento da precariedade com que esse serviço estava caracterizado. Desde então, pensa em um modo de contribuir para que as crianças acolhidas recebam o cuidado a que têm direito. Em 2022, viu uma oportunidade na participação como membro colaborador da Comissão dos Direitos Humanos da OAB de São Carlos, assim como com a união com outras pessoas com o mesmo interesse, por meio do Coletivo Melhor Acolhimento. Em março de 2023, participou do IV Simpósio Internacional de Acolhimento Familiar, em Campinas/SP, e voltou com a certeza de estar no caminho certo ao trabalhar por esta causa.
